In principio erat verbum, como disse João (João 1:1). A importância do verbo como ação é um dos temas mais legais que existem na minha opinião(rs). Quando eu estava no primeiro período, esbarrei com um texto sobre "Como fazer coisas com palavras", e escrevi esse poeminha aí abaixo. Agora, dois anos depois, ainda consigo ler e gostar dessa poesia. Ela pressupõe o tu como mais romântico, e o você como mais íntimo: isso para o meu eu daquele tempo tinha um significado especial, justamente por conta do meu nós... mas isso é assunto para outra oportunidade...
E ir conjugar o verbo no infinito...
No início, era o verbo
cojugava em primeira do singular:
Eu sou feliz sozinha
E, tonta, me julgava completa
Depois, ainda era o verbo
Mas conjugava em segunda do singular
Tu és feliz sozinho
E te julgava romanticamente distante e completo
E então, ainda sendo o verbo
Passei a conjugar em terceira do singular
Você é feliz sozinho
E a intimidade do trato me deu um relance do que seríamos
Foi então que aprendi que relacionamento é uma coisa plural
E conjuguei então na primeira:
Nós somos felizes juntos
E sem meu egoísmo de completude ou abnegação tivemos nosso momento
Mas o tempo passou e nossa relação foi soprada do presente do indicativo
E conjuguei então na segunda:
Vós sois felizes juntos
E tu com ela, e eu sem ti, seguíamos nossas sentenças performáticas
E o mesmo tempo ainda passa, e pretérito-mais-que-perfeito é onde nos conjugo agora
E és distante de mim, e te penso com outro trato, na terceira:
Eles são felizes
E eu também sou, meu amor pode agora procurar outro objeto direto
Ofélia Corrêa Mendes


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