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Sou uma poetisa gaúcha, que viveu no Rio a maior parte da vida: Misturo o jeitinho de falar carioca com um sotaque gaúcho(rs). Dessa maluquice nasceu essa Ofélia, que pretende ficar longe da água (rs). Beijinhos a todos.

domingo, 31 de outubro de 2010

Esfinge

O dia de hoje tem cheirinho de escuro. De quando eu tinha cinco anos, e numa fazenda bem no interior uma menininha chorava fino de medo. "Pai, deixa a luz acesa?". E temia cada sombra de galhos como longos e sufocantes dedos, cada toalha estendida como fantasmas terríveis, e cada vento frio que uivava me soava como o sinistro. E quando meus primos cariocas me contavam histórias de terror, e atribuiam esses acontecimentos ao dia do Halloween, eu suava frio e sentia que todas as criaturas da mitologia sincrética que ouvia me espreitavam na noite.

Aos seis anos me mudei para o Rio, e para perto de meus primos. Percebi que os mesmos medos que me incutiam, eles sentiram na pelo quando mais jovens. Assim contava minha tia, que ouvia os choros e gemidos dos tempos de crianças deles, quando eram eles a pedir a luz acesa. Cresci, crecemos, e perdemos os medos infantis. Eu, que era dois anos mais nova que meu primo mais velho, e da mesma idade do meu outro primo, os passei a ter como iguais. Morávamos no mesmo condomínio da Barra da Tijuca,e tinhamos o mesmo ciclo de amigos.

Vivemos os mesmos medos, crescemos juntos, tivemos os mesmos amigos, A primeira namoradinha do meu primo mais novo foi minha melhor amiga, e meu primeiro namorado foi um amigo dele.  Compartilhamos os medos e as descobertas no nosso pequeno universo isolado da civilização, enquanto nossa infância durou.  Compartilhamos o mundo depois, quando vivemos nossa adolescência. Juntos fomos dos doces às travessuras, por assim dizer.

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